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Opinião – Oscar 2017: Reconhecimento do talento negro em evento mundial

Foram tantas as críticas no ano de 2016 por não haver negros indicados para a disputa das premiações e categorias no maior evento do cinema mundial o “Oscar”, evento organizado pela Academia de Artes e Ciência Cinematográficas de Hollywood para premiar os segmentos do cinema mundial que se destacaram durante o ano. Infelizmente, negros não foram representados nos anos de 2015 e 2016 e isso criou um mal-estar para a organização do evento.

Em 2017, a lista de indicados para o Oscar trouxe um número recorde negros profissionais do cinema. Incontestavelmente, isso é histórico. Pela primeira vez aconteceram estas indicações em tão grande número.

O que houve nos anos de 2015 e 2016 teria sido um caso de racismo velado? Sabemos que centenas de negros figuram no cinema mundial com muito talento. Nada mais justo seria que negros participem das disputas com maior frequência. Lembrando que a comunidade internacional está de olho na dissipação e na ausência de espaços para os negros na televisão.

Vimos, por isso, no ano passado, a campanha “Oscar So White (Oscar tão branco)” nas redes sociais juntamente com a mídia em geral criticando a ausência negra no evento. Foi muito importante para que houvesse esta reavaliação.

Em contraponto a isso, vimos um astro negro de primeira grandeza como Denzel Washington desprezar (com suas razões) o movimento, afirmando que apenas o talento basta para que haja o reconhecimento do negro no cinema. O astro é dono de duas estatuetas do Oscar e dois prêmios Globo de Ouro. Ele mesmo tem duas indicações este ano, como diretor e como ator principal.

O Oscar 2017 deverá ter a maior audiência televisa que já houve entre todos os anos. Será especialmente cercado de olhares críticos, devido às cobranças mais que justas da comunidade internacional pela ausência dos negros.

Sabemos que estas indicações de artistas afros americanos serão uma importante ferramenta para combater os estereótipos, mas é preciso ficar claro e evidente que as indicações tenham sido feitas exatamente por causa do talento, e não como simples resultado dos protestos do ano passado.

O negro merece respeito e mais reconhecimento, pois este povo viveu debaixo de um jugo de sofrimento e perda de direitos por muitos e muitos anos em todos os continentes do mundo e devemos sim buscar, cobrar,  e ocupar  espaços que foram suprimidos por falta de respeito e sensibilidade da igualdade para negros. Mas isso precisa refletir o trabalho de cada um de nós. Como o próprio Washinton afirmou, em recente entrevista, quando questionado sobre as indicações deste ano, como resultado do movimento de 2016: “Não dá para viver assim. O que precisamos é fazer o melhor que pudermos”.

Antônio Neto é Conselheiro titular do Cepir, contabilista, e militante dos movimentos Negro e Cultural em Rondônia

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