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Vice-governador fala de integração e desenvolvimento na Semana Brasil-Bolívia

Aberta na noite desta segunda-feira (3), às 20h, pela professora Berenice Tourinho, representando a Reitoria da Universidade Federal de Rondônia (Unir), a Semana de Integração Brasil-Bolívia, muito prestigiada por autoridades, empresários e formadores culturais dos dois países, assistiu a uma aula do vice-governador Daniel Pereira sobre a geopolítica rondoniense e os motivos que justificam a integração Rondônia-Beni.

O evento, na verdade, teve início com uma homenagem ao ex-governador Ângelo Angelin, falecido no mesmo dia, e se estendeu a todos os governadores do Estado de Rondônia que o sucederam, pelo estímulo e pelo compromisso de cada um com o processo de aproximação comercial e cultural com a República da Bolívia, como quem não esquece o compromisso histórico de expandir suas fronteiras para o mundo – Tratado de Petrópolis -, a partir da construção de uma ferrovia com início em Guajará Mirim, que ligasse o estado boliviano à Hidrovia do Madeira e daí ao Oceano Atlântico, como meio para facilitar o comércio exterior da Bolívia.

Daniel Pereira falou da importância da integração cultural entre Rondônia e Beni, destacando a necessidade de implementação de políticas mútuas de apoio ao projeto, citando os milhares de estudantes brasileiros na Bolívia e de tantos bolivianos no Brasil, que enfrentam barreiras de toda ordem, especialmente em relação ao transporte e com a língua. Ele defendeu a necessidade de formalização de um termo de acordo entre os Governos, para implantação de cadeiras de língua espanhola nas escolas nas escolas do Estado de Rondônia, o que já vem sendo feito, e vice-versa, com o mesmo modelo, a inserção na grade curricular boliviana, da cadeira de língua portuguesa, o que facilitaria concretamente a integração entre os povos irmãos.

O vice-governador de Rondônia falou também de grandes projetos de interesse mútuo, na área comercial, por exemplo, em que o Estado de Rondônia pode importar sal mineral da Bolívia para atender a pecuária rondoniense de mais de 14 milhões de cabeças de bovinos, e como contrapartida pode exportar calcário e fertilizantes para a Bolívia que tem milhões de hectares de áreas agricultáveis nos Departamentos de Beni e Pando, principalmente, que vão se firmando como importantes produtores de grãos, em especial de soja, que já começa ser exportada da Bolívia para o mundo pela Hidrovia do Madeira.

Ao apresentar o mapa rodoviário de Rondônia, e suas alternativas de logística, Daniel Pereira demonstrou em sua palestra que não está distante a consolidação do projeto de integração entre os dois países, destacando que a obra Ponte Binacional ainda não foi concretizado porque não havia motivação econômica. “Mas agora nós temos todos os motivos para construí-la”, disse, informando que devem ser licitados ainda este ano os projetos básico e executivo da obra, como principal fator de resgate e consolidação do compromisso histórico pactuado entre Brasil e Bolívia.

O vice-governador falou ainda da obra da ponte sobre o Rio Abunã (BR-364), que deve ser inaugurada no final do ano que vem (2018), e que é outro passo significativo para sedimentação do projeto de integração entre os povos e a economia de toda a região. Pereira destacou ainda a necessária e inadiável construção do trecho da BR-429, ligando Costa Marques a Forte Príncipe da Beira, de apenas 28 quilômetros, a cargo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). “É mais uma importante rota para a integração”, disse observando que se a autarquia não se dispuser a executá-la, o próprio Governo de Rondônia vai construir a estrada.

Daniel Pereira fez ver, que o que parece simples atualmente é fruto do sonho e do trabalho de tantos que não mediram esforços e foram à luta com o objetivo da integração. Ele citou e homenageou o governador Confúcio Moura, senador Waldir Raupp, deputado Eurípedes Clemente (Lebrão), Miguel de Souza, entidades e instituições como a Federação das Indústrias (Fiero), do Comércio (Fecomércio), Universidade Federal de Rondônia (Unir), a classe empresarial, as comunidades organizadas, Clube Cultural-Brasil-Bolívia e tantas outras organizações e pessoas, como o professor Hélder Risler de Oliveira, principal interlocutor do Governo de Rondônia no projeto de integração.

Com o mesmo sentimento, o assessor do Ministério da Defesa da Bolívia, Jorge Chaves, discorreu sobre vários pontos do projeto de integração, destacando iniciativas culturais, intelectuais, científicas e tecnológicas que podem dar um caráter grandioso à integração entre os dois países, mas foi enfático também quanto aos aspectos comerciais e de valor histórico para Brasil e Bolívia.

Ele falou dos interesses de seu país neste projeto, como alternativa para escoamento dos seus produtos e exportação. Citou os primeiros embarques realizados no Porto de Porto Velho, que pela Hidrovia do Madeira está levando a castanha e a madeira bolivianas para a Europa e para o mundo, além da soja que também já começou a ser exportada pela Bolívia através do porto local, com perspectiva de crescimento e diversificação da pauta de exportações.

A programação da Semana de Integração Brasil-Bolívia segue nesta terça-feira (4), a partir das 17, com uma mesa redonda sobre “Democracia, Estabilidade Política e Fronteira”, e palestras, concluindo quarta-feira (5), às 19h, com mais uma mesa redonda com o tema “Política de Integração e Desenvolvimento Brasil-Bolívia”, e uma conferência especial de encerramento, com o embaixador boliviano no Brasil, José Kinn.

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