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Restaurante Popular: pratos saudáveis e reeducação alimentar

A nutricionista Thaís Andrea tem na ponta da língua o dia em que o Restaurante Popular Prato Cheio foi inaugurado em Porto Velho: 21 de agosto de 2015. De lá para cá, é sua responsabilidade indicar o que vai no cardápio.

“Muitas pessoas fizeram reeducação alimentar e perderam peso. Elas se acostumaram a por no prato a quantidade e os alimentos certos”, observa a profissional.

Providenciar alimento para estas pessoas produz um sentimento de realização na nutricionista. Ela desabafa: “é gratificante saber que estamos servindo refeições com qualidade, que produzimos bem-estar. É muito bom!”

O cardápio é variado e servido todos os dias a partir das 11h. O mais esperado continua sendo o da sexta-feira, que é dia de feijoada.

O custo por prato é de R$ 6,34. Como cada usuário paga R$ 1, os outros R$ 5,34 são de responsabilidade do governo do estado.

Os primeiros a chegar são os idosos. Eles aproveitam que há menos movimento e podem comer com tranquilidade.

Mas o normal é que a maior parte das 1.500 refeições seja servida num ambiente farto com ruídos. É gente que se conhece e põe as novidades em dia. Gente que gosta do sabor, ambulantes que aproveitam para oferecer picolés e doces nos arredores.

Há os que reclamam de tudo, gritam e fazem cada vez mais exigências. Mas, estes são um contingente reduzido e bastante conhecido. “São os mesmos, sempre”, disse um funcionário.

O secretário especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Juvenal Araújo, órgão do Ministério dos Direitos Humanos, veio a Porto Velho em agenda oficial e também entrou na fila do Prato Cheio.

Araújo elogiou a iniciativa do governo de Rondônia. “A proposta é muito importante, e a região onde o restaurante está instalado é propícia”, comentou.

DISCRETOS

O caminho que os alimentos percorrem até a mesa do restaurante vai servir de tema para a redação do universitário Isaú

Não são poucos os que entram, comem e saem discretamente. Ocilene Serra, moradora do bairro São Francisco, é assim. Ela vai diariamente ao restaurante comunitário. “Uma boa refeição. E por 1 real? É tudo o que eu queria”, confessou a usuária, que tem na venda de perfumes a única fonte de renda. Mãe de três filhos, todos casados, Ocilene está sem trabalho formal há dois anos.

Joel Soares, 50 anos, aposentado, brinca com a própria sorte. Personagem bastante conhecido na região, diz que carrega uma “enorme” pedra nos rins e que aguarda o momento de fazer a cirurgia para a retirada do incômodo cristal.

Ele faz elogios ao cardápio: “comemos muito bem e pagamos só um real. Quem não gostar, que vá para outro restaurante e pague mais caro, ora”, argumenta em voz alta.

Outro que passa despercebido na multidão, apesar de ser um exigente observador, é Isaú Soares, estudante do 8º período de administração.

Isaú faz pesquisa para a tese que defenderá ao final do curso. Já fez entrevistas e pesquisas. As visitas contribuíram para traçar o perfil que estará na redação da faculdade.

O interesse principal é pela logística. Já viu de perto os procedimentos da produção até que o ponto em que os pratos estão nas mesas. E gostou do que viu.

Como reside nas proximidades, Isaú considera vantajoso ter o restaurante numa região tão populosa. Ele acha que pode deixar sua ajuda para melhorar o ambiente. “Mais intervenções visuais para conscientizar a respeito do desperdício, da melhor utilização do tempo”, propõe o estudante.

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