Browse By

Fazenda Futuro recebe investimentos para criação de tambaqui e pirarucu em tanques

Instalada há cinco anos em uma área de 309 hectares doada pela União ao Estado de Rondônia, ao lado da Colônia Agrícola Penal Ênio Pinheiro, em Porto Velho, a Fazenda Futuro, sob a responsabilidade da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus), é uma estratégia de ressocialização incentivada pelo governador Confúcio Moura que tem garantido aos reeducandos do sistema prisional uma espécie de liberdade vigiada ao mesmo tempo em que se sentem úteis aprendendo novas técnicas em cursos de capacitação com foco na área agrícola e trabalhando com o plantio de diversas espécies alimentícias, gerando renda e a remissão da pena. No local já foram produzidas 1,3 milhão de mudas de castanha-do-brasil, todas já distribuídas entre 2015 e 2016. Outras 30 mil estão em fase de cultivo.

Expectativa

Entre os reeducandos está Eraldo Barros, 27 anos, solteiro e natural de Porto Velho. Já cumpriu a pena, mas enquanto aguarda a liberação da Justiça continua trabalhando: “Quando sair, pretendo voltar a estudar”

De acordo com o sargento Ernesto Petini, coordenador da fazenda, após a instalação da energia elétrica concluída na segunda semana de agosto, a expectativa agora é para o investimento de R$ 1,350 milhão em três projetos novos em fase de licitação, que são a criação de tambaqui em quatro tanques, pirarucu em dois tanques e o galinheiro, além do incremento da hortifrúti.

Com relação aos tanques de piscicultura, o técnico da Emater Josciney Viana explicou que conseguiram economizar R$ 17 mil utilizando a estrutura ecológica, feita com 500 pneus e barro ao invés de PVC. Serão 500 pirarucus distribuídos em dois tanques (um de pneu e outro de PVC) com capacidade de 100 mil litros de água, cada; e 8 mil tambaquis em quatro tanques.

Consumo interno

Após a licitação e a distribuição dos alevinos no tanque, com oito meses será feita a pesagem para avaliar se já estão no tempo de consumo e venda para fora. No caso do tambaqui, o ideal é que tenha entre 2 e 2,2kg para consumo interno, mas para a venda são 3 quilos. Já o pirarucu em um ano tem atingido os 12 quilos. A ração também está incluída nos R$ 1,350 milhão de investimento previstos.

Ainda conforme o técnico Josciney Viana, neste período está sendo feita a compostagem orgânica do jardim clonal, onde serão produzidas mudas de cacau e banana para serem doadas a projetos do governo após o período de um a dois anos, quando o normal são quatro anos. Eles também trabalham na produção de 300 mudas de pupunha, 1.500 de açaí, 600 de cacau comum para fazer enxerte com o clonal, 300 de graviola, 300 de murici, 100 pés de abacaxi, 300 de maracujá, dois mil de pupunha (em germinação), 200 de inhame e 300 de milho.

Direito

Considerando ser o direito ao trabalho um dos elementos fundamentais para garantir a dignidade do ser humano, quando uma pessoa é presa tem este direito e também dever garantidos pela Lei de Execução Penal (Lei 7.210/84), visando à reabilitação e ressocialização, auxiliando sua recuperação e preparando-a para a reinserção na vida em sociedade por meio do mercado de trabalho.

Uma das propostas do atual governo federal é fazer um teste de privatização com os presídios brasileiros. Seguindo o exemplo de muitas cadeias chinesas, Michel Temer anunciou em 2015, ainda como presidente em exercício, que a ideia era colocar todos os presidiários aptos a exercerem atividades laborais para ajudar a pagar os custos com eles mesmos. Em troca do trabalho, cada cadeia adotaria um sistema diferente.

A sugestão é que os presos troquem o trabalho por comida (além da que já é servida diariamente), produtos de higiene pessoal, cigarro ou guardar quantias para quando deixar a prisão, facilitando a volta ao mercado de trabalho.

Deixe uma resposta